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VOA Fest - Dia 1 - 04/08/17 @ Quinta da Marialva, Corroios




O sol foi a nossa primeira recepção para a segunda edição do VOA Fest. Esta edição de 2017 ficaria logo marcada pelas mudanças: mais um dia e mais um palco, com a curadoria da Loud!, algo que só fez com que as nossas expectativas aumentassem para aquele que  é um dos eventos do panorama da música pesada nacional. 


No início, e ainda com as pessoas a chegar aos poucos ao recinto, subiram os Process Of Guilt ao palco, abrindo as hostilidades. E foi pena que não estivessem mais pessoas a assistir para a sua actuação. Nada surpreendente para quem já os viu mais que uma vez, como é o nosso caso, mas ainda assim, um daqueles casos em que temos o que esperamos, ou melhor, o que ansiamos. De caras para o sol, a banda não acusou fraqueza perante o desafio e despejou o seu doom/sludge apocalíptico abalando os alicerces da própria terra. Hugo Santos, guitarrista e vocalista, não se dirigiu ao público a não ser no final. Não era necessário, afinal a música fala por si própria e o tempo era curto. É sempre uma experiência catártica (ainda por cima em vésperas de lançamento do novo trabalho, “Black Earth”) assistir à destruição sonora da banda de Évora, mesmo que seja durante o dia, sobre um sol abrasador e por apenas meia hora.


Após um início destes, a fasquia fica elevada para quem quer que se siga. Estava previsto, segundo o horário que os Névoa, que seriam mais que adequados para suceder Process Of Guilt, subiriam ao palco Loud! Ao contrário do que estava planeado e após espera pela sua hora, foram os The Charm The Fury que se apresentaram no palco principal. Confessamos que não somos grandes fãs da banda holandesa, conforme puderam comprovar na nossa análise do seu último álbum de originais, “The Sick, Dumb and Happy”, no entanto temos que nos render à sua humildade e acima de tudo à sua eficácia. Como primeira banda internacional do dia, debaixo do sol forte e perante uma assistência algo apática, ainda reduzida mas a compor-se lentamente, The Charm The Fury não desanimaram. Pelo contrário puxaram pelo público e foi daqueles casos em que o conquistaram fruto do seu trabalho incansável em cima do palco. Sendo a primeira vez da banda em Portugal, tal como a vocalista Caroline Westendorp mencionou, foi uma excelente apresentação da banda ao público português. “Echoes”, a “Songs Of Obscenity”, com direito à inclusão de uma versão instrumental a alta velocidade da “Seek and Destroy” dos Metallica, e a “Carte Blanche”. Uma excelente surpresa.


Chegou então o momento dos Névoa inaugurarem finalmente o palco Loud!, onde o seu black metal muito peculiar – segundo a nossa opinião, bastante próximo daquilo que os Process Of Guilt fazem – e cada vez mais orgânico se instalou. Mais uma vez também não houve grande comunicação com o público, mas nem havia necessidade. Apesar do espírito mais intimista deste palco, a música teve a capacidade de nos levar para longe. Com um alinhamento expandido (apesar da banda do Porto ser um duo, ao vivo contava com a ajuda de mais dois músicos, aos quais se adiciona mais um na percussão, algo que faz com que a banda surja com um feeling rítmico ainda mais acentuado) que sem dúvida que eleva a eficácia da prestação da banda e sobretudo da sua envolvência.


Esta ideia de acrescentar um palco foi ideia vencedora, que permite a que seja menos penosa a transição de banda para banda. Nada como a música para fazer voar o tempo. E por falar em voar, era a altura de um dos momentos altos do dia. Um dos grandes nomes para este primeiro dia do VOA Fest e também um dos mais aguardados: Insomnium. A banda finlandesa está num excelente momento de forma (não terá sido por acaso que o seu último trabalho foi álbum do mês aqui nesta vossa publicação e um dos melhores álbuns lançados em 2016), momento esse que abriu a sua actuação e dominou grande parte da sua actuação, com a sua interpretação na íntegra, algo que todos agradeceram, principalmente nós, fãs da banda. Mas nem só de Winter’s Gate viveu a sua actuação. Também pudemos ouvir outros temas onde se incluem “Mortal Share”, “Change Of Heart”, The Promethean Song" e "While We Sleep".


O público ficou rendido desde o primeiro momento mas a banda encontrou alguns problemas, mínimos, de som, sobretudo no som da guitarra e da voz de Ville Friman, algo a que a sua prestação foi totalmente alheia – o som de vez em quando saiu com alguns agudos assanhados, o que fez com que as vozes limpas e alguns leads se perdessem. Nada que beliscasse uma actuação em grande nível. Foi a primeira banda do dia a agarrar o público desde início e a mantê-lo neste modo por mais de uma hora. Uma banda que não nos importamos de ver mais vezes, de preferência com mais tempo de antena.


Promovendo uma maratona saudável e após o grande concerto que foi dos Insomnium, era o momento de voltarmos ao palco Loud! para ouvirmos mais um valor emergente do nosso underground. Os Earth Drive estavam a jogar em casa – a banda é de Almada – e entrou a matar com a sua fusão poderosa de rock psicadélica com um stoner/doom viciante que através do groove consegue criar um efeito hipnótico altamente eficaz. Este efeito, aliás, é a descrição mais eficaz para o som que se pôde ouvir lá.


A banda não desiludiu aqueles que já os conheciam e definitivamente conseguiu conquistar novos fãs, condensando todo o seu poder – e optando pelos sons mais fortes do seu repertório tais como “Standing Stone” e “Jupiter Great Red Spot”. Embora o seu som pareça indicado para espaços mais intimistas, a verdade é que a sua música consegue tornar o longe perto e derrubar as fronteiras. Para quem não os conhecem, imaginem algo como que uma fusão entre os Hawkwind e os Black Sabbath movidos a Kyuss. Já dá para ficar com uma ideia aproximada.


Do palco principal já estava tudo a postos para a entrada de um dos cabeças de cartaz, Epica. A banda já é habitual nos palcos nacionais, vindo cá regularmente – Simone Simmons confessou que tem estado no nosso país a aproveitar o bom tempo há já alguns dias. No entanto, apesar dessa regularidade, era sem dúvida uma das bandas mais aguardadas, algo que se notou conforme se fez soar a introdução ”Eidola”, que tem o mesmo efeito no último álbum de originais “The Holographic Principle” e os membros foram entrando para o palco para atacarem “Edge Of The Blade, segundo single a ser retirado do mesmo álbum. Com efeitos pirotécnicos que surpreenderam – e aqueceram ainda mais a noite – a banda passeou de forma confortável por parte da sua carreira tendo como foco o já mencionado “Holographic Principle”.


Com a prestação individual e colectiva sem qualquer falha (sendo que nosso destaque vai sobretudo para Mark Jansen, dinâmico como sempre, o teclista Coen Janssen com o seu teclado meia lua/meia roda e, claro, Simone Simmons, como exemplo de como uma frontwoman deve ser), só temos como ponto menos positivo a quantidade enorme de samples que foram usados, no que diz respeito a trechos orquestrais e coros, mas tendo em conta a música da banda, para reproduzir fielmente o que fazem em disco, teriam de viajar com uma orquestra sinfónica atrás – algo que sabemos ser impraticável.  A banda anunciou ainda que viriam visitar o nosso país em Novembro, Lisboa e Porto, algo que sabemos que apesar da curta distância deste concerto não impedirá a alta procura por essas datas.


Era chegada a altura de nos despedirmos do palco Loud! no primeiro dia, e não poderia ser de melhor forma. Black Wizards. Somos fãs confessos da banda e cada actuação da banda parece evidenciar um crescente know how de como conseguir agarrar o público. As condições em termos de tempo de actuação poderiam não ser as ideais mas a banda nacional munida de fuzz e energia a rodos, despejou o seu som stoner/doom embebido em fortes doses de blues e groove como se fosse o fim do mundo. Dava a ideia disso mesmo, não fossem os Carcass a banda que se seguia, bem que o mundo poderia acabar já ali.



A banda de Joana Brito tem o segundo álbum às costas (“What The Fuzz!”, que esperamos rever aqui em breve) e mostrou-se bem afinada, saindo-se muito bem no ambiente mais relaxado do palco Loud! Grandes solos, grande groove e grande feeling, uma actuação que nos remete para aquilo que mais gostamos da música pesada: guitarras barulhentas e solos em profusão. Foi como se os Black Sabbath (sempre omnipresentes) desatassem a fazer covers de Jimi Hendrix com a Janis Joplin a cantar. Uma banda sólida (destaque também para potência e segurança com que Helena Peixoto imprimiu na bateria) e uma das melhores actuações do dia.


Voltámos todos para o palco principal para o fecho da noite, feito com os Carcass, para muitos a banda da noite. Algo que suspeitávamos e que se confirmou pela forma como o público começou a correr para o centro das atenções assim que se começou a ouvir a intro “1985”, retirada de “Surgical Steel”, álbum de regresso e ainda o mais recente da banda, lançado em 2013. “316L Grade Surgical Steel” do mesmo álbum foi a primeira bomba que revelou a banda britânica com bisturi bem aguçado. Jeff Walker vociferava no seu melhor, não descurando o baixo, enquanto a dupla de guitarristas reproduzia na perfeição as intricadas e melódicas guitarras.


Carcass é uma das instituições da música extrema e o facto de terem acabado e permanecido ausentes por mais de uma década faz com que se aprecie a sua música de uma maneira diferente. Uma carreira rica que vai desde ao grindcore (onde foram principais impulsionadores, tal como os Napalm Death) até ao death’n’roll, sem esquecer a fase preferida dos fãs, o death metal melódico. “Buried Dreams” e “Incarnated Solvent Abuse” são clássicos indiscutíveis e muito bem recebidos e que convivem muito bem ao lado de temas como “Cadaver Pouch Conveyor System” do já citado último álbum de originais. Da fase mais antiga tivemos direito aos clássicos “Exhume To Consume” e o tema- título de “Reek Of Putrefaction. Ainda tivemos direito a “This Mortal Coil”, a uma espécie de medley entre “Black Star” e ”Keep On Rotting In The Free World” (temas de uma fase menos apreciada mas que resulta muito bem”, à “Heartwork” antecedida pela rápida “Ruptured In Purulence” e à inevitável “Corporal Jigsore Quandary”.



Muito circle pit, mosh e headbanging, algo imprescindível num festival de metal que se preze, foi a forma como encerrou o primeiro dia do VOA Fest. Uma fasquia bastante elevada para os próximos dias, mas ainda existem muitos trunfos na mão para jogar. 


Reportagem por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos a Prime Artists e PEV Entertainment

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